13/11/2011

O Universo, o Indivíduo e o Cidadão



Dos livros que li em 2011 destaco três . Por quê falar dos Três ao mesmo tempo?


Para mim possuem pontos em comum. Os três partem de experiências ou olhares pessoais e analisam situações bem mais abrangentes, não comuns aos indivíduos leigos nas áreas abordadas. Outro ponto, que na humilde opinião deste leitor se destaca, é a generosidade de traduzir ao público leigo o entendimento de áreas antes consideradas pertencentes a esferas exclusivas.

No primeiro, Marcelo Gleiser desmistifica a Física e desconstrói a idéia de perfeição. A leitura serve como resposta a quem tem a inquietude de querer compreender o Universo e suas leis. Interessante como ele acentua a questão de “proposição” de teorias, não apresentando nenhuma como definitiva. Porém conjecturas. E o maior mérito, talvez seja, o de tratar a Física como uma ciência integrada ao conjunto de todas as outras ciências. Filosofia, História, Geografia, Matemática....tudo se integra na abordagem de Gleiser.

No segundo livro encontro-me com Miriam Leitão. A Economista televisiva, por quem tive antipatia nos meus primeiros momentos de atenção aos seus comentários pois a achava muito pessimista (já há alguns anos atrás). Com o passar do tempo fui mudando meu conceito sobre ela para “realista”. Percebi o quanto ela conseguia apresentar a situação econômica brasileira com clareza. Eu é que não tinha dimensão das implicações do que ela falava. E no livro, para minha maior surpresa encontro uma Miriam Leitão que sabe muito bem do que está falando. Possui um entendimento privilegiado da economia e abusa da generosidade em tratuzi-lo para o leitor.  Num ritmo de thriller de cinema (livre impressão da minha parte, não sei se essa foi a intenção da autora) ela descreve toda a construção dos últimos e principais planos econômicos brasileiros. A parte gostosa da descrição está na relação, feita a todo momento, no cotidiano de todos os planos com a vida dos brasileiros e na riqueza de detalhes dos bastidores que  fazem a narrativa tomar um ritmo vibrante. Uma aula de história e economia. E um registro importante, imprescindível da nossa história. Como professor, passo a recomendar a leitura do livro como conteúdo para estudo. E o título, não poderia ser mais adequado: Saga Brasileira. Desculpem-me os colegas historiadores, mas digo, parafraseando Marcelo Tas, nunca, antes na história do nosso país, alguém colocou nossa saga tão a nu como Miriam o fez. Uma leitura necessária e esclarecedora.

E por fim, não menos importante, a Biografia de Lobão – 50 anos a Mil. Divertido, profundo, provocador, irônico, debochado, fiel a coerências e incoerências e ao mesmo tempo sério. Uma história descrita, primeiro no ambiente familiar e que vai se ampliando, inserida na história da nossa cultura musical. Não se trata de um livro necessário ( qualquer pessoa poderá viver bem sem lê-lo, diferentemente dos dois primeiros que acrescentam muito), mas trata-se de uma história muito, muito interessante. Surpreendente. Elétrico ( 220 volts).

Os três me ajudaram a encontrar respostas como indivíduo e como cidadão. E é claro, me fizeram formular novas perguntas. Afinal, essa é a dinâmica. Os três também confirmam que estamos mesmo na era da incerteza: das teorias, da economia e da história. Era das incertezas? Ou era das verdades transitórias? Certeza, só uma: nada é definitivo. Nem o Universo, nem a economia, nem você mesmo.

Não sou crítico literário, não me considero intelectual, nem mestre em nada. Escrevo isso apenas porque, encontro neste canal o suporte para exprimir, como cidadão comum, as impressões do que acontece, e nesse caso do que eu li. E manifesto o desejo que muitos, como eu, encontrem a oportunidade de ler igualmente essas obras. Vale muito.