18/03/2013

O Poder de Um Livro


Era 1978, cursando a 7ª série do Ginásio ( era assim que se chamava na época).  Perto de completar 14 anos. Maria Cristina Schmidt,  uma colega de turma que adorava apresentar novidades para a turma. Era filha de ex-prefeito , empresário rico e pessoa muito respeitada na cidade, Sr. Ladislau Schmidt. Devido a essa posição econômica, Cristina sempre tinha acesso em primeira mão a novidades  que demoravam meses para chegar a Guabiruba. Para os padrões locais Cristina era bem “avançadinha”, cheia de iniciativa e pouquíssimo se preocupava com que as pessoas achavam disso. Talvez esse seja um dos pontos que nos manteve tão unidos durante aquela época. Apresentava ao grupo novidades inusitadas, do tipo:

                - Descobri umas músicas legais demais (falava de Sá e Guarabira, e trouxe o disco  para ouvirmos na eletrola da escola).

Em outra ocasião trouxe um disco, em que afirmava estarem as músicas ideais para nossa festa de formatura: apresentava Simon e Garfunkel.

E assim seguia, impressionada com as novidades, queria contagiar todos.

                Certo dia ela chega:

                - Nossa, acabei de ler um livro muito bom.

                - Qual?

                - Fernão Capello Gaivota!

Resumidamente passou para todos ao seu redor um resumo do que a obra oferecia. Me emprestou o livro e li em dois dias.  De tão impressionado reli alguns  trechos várias vezes.

A mim, parecia ter encontrado confirmação de pensamentos que ainda pareciam obscuros, nebulosos. Passei a admirar Fernão.

Na época o livro foi um Best-seller em várias regiões do mundo. O autor. Richard Bach havia virado celebridade internacional.

Nunca consegui entender se meu pensamento se ampliou por causa do livro, ou se  apenas confirmara algo que já estava em gestação. Fato é que a história nunca mais me largou. Pautei várias fases da minha vida em semelhança com o livro.

Fernão Capello não queria se render as regras sem sentido, procurando sempre novas possibilidades. Acho que isso ainda se mantém. Extremamente avesso a tudo que é imposto sem razão benéfica ao coletivo.

Por vezes penso: e se Cristina não tivesse apresentado o livro? Não tenho resposta.

Não tenho mais notícias de Cristina. Soube que casou com Gilmar, ex-viciado em maconha, filho do Seu Geraldo e Dona Landa. Mas agradeço, de toda forma,  aquela amizade de 4 anos.

Hoje poderia se afirmar que o livro não passava de um impresso de auto ajuda.  Bobagem. Mal o livro não fez.  Como todo bom livro, mostrou o seu poder.

Um comentário:

Carlão disse...

Belo relato!